Viva os meninos agitados!

portinari-meninos-brincando-2

Outro dia saí com meus dois filhos. Num intervalo de menos de uma hora, dois homens se manifestaram em defesa da espontaneidade deles.

Peiki estava mexendo com a caneta e a cola dos Correios, e eu mandei colocar de volta no lugar. Um homem ao lado riu e falou algo como: – Deixa ele, é coisa de garoto, a gente só tem essa idade uma vez!

Enquanto isso, uma mulher do outro lado fazia cara feia.

Na maioria das vezes, as mulheres fazem um olhar contrariado pra meninos agitados. Ainda que eles não estejam fazendo nada de errado, nem sequer gritando, só se movimentando e se expressando com mais rapidez e entusiasmo do que nós, os “velhos”.

Noto nos homens adultos, ao ver os meninos assim, uma diversão no olhar, que imagino ser por se lembrarem deles mesmos nessa idade. Já as mulheres, intuo que se sentem obrigadas, em seu papel de educadoras, a estar sempre ditando normas e impondo limites, responsáveis por tudo que acontece ao redor.

Eu alterno entre o general e a anarquista. Confesso que muitas vezes ainda me importo com o que os outros vão pensar, e sou mais rigorosa do que o necessário. Mas isso é só quando não parei, eu mesma, pra pensar.

E sou radical com questões honestidade, cooperação e respeito.

Já em outros momentos, deixo os meninos muito mais livres do que a maioria. Algumas mães próximas se assustam, tentam impedi-los de fazer alguma coisa que elas julgam perigosa. Provavelmente nunca tiveram coragem de permitir que seu filhos testassem seus limites correndo riscos supervisionados. Se tive sorte ou um bom anjo da guarda, não sei, mas eles nunca quebraram nada, e nunca precisaram tomar pontos por tombos enquanto estavam comigo.

Claro que estou generalizando, falo da maioria, não das singularidades. E me encaixo em todos os “personagens” que citei aqui, pro bem e pro mal.

Eu mesma, antes de ter dois filhos assim, cheios de uma energia quase incontrolável, costumava achar que meninos agitados eram simplesmente mal educados, mal conduzidos.

Qual o limite em que extrapolamos a educação, e passamos a sufocar a espontaneidade dos nossos filhos?

Espero que possamos ajudar nossos filhos e filhas a ser tornarem homens e mulheres felizes.

Que ambos encontrem o equilíbrio. Homens espontâneos e alegres, e ainda assim responsáveis e compromissados. Mulheres responsáveis e cuidadoras, e ainda assim espontâneas e sabendo curtir o bom da vida.

Não estou querendo muito, estou?

Aline Mendes

Reflexão inspirada no vídeo Guerra aos Garotos:

Imagem: Portinari – Meninos Brincando

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s