Esta mãe de três é muito irrequieta, e está de mudança de novo!
O WordPress está muito lento, instável, e por isso as histórias de mãe estão voltando para o seu endereço primordial, que esteve hibernando durante todo este tempo:
Quantas pessoas nesse mundo nunca passaram pela experiência de um amor companheiro? Acho que esse é um drama universal… As pessoas casam, separam, namoram, buscando essa experiência de compartilhar. Muitas não encontram, nisso esse mundo é meio difícil. Mas acho que poucos desistem. Acho que é um desejo primordial…
Será que esse ideal romântico moderno de ter tudo numa pessoa só, quase perfeita, dificulta essa experiência? O psiquiatra Francisco Daudt da Veiga (de quem sou super fã) tem um livro com esse nome (O Amor Companheiro, a amizade dentro e fora do casamento), e ele diz que pode existir amor companheiro entre amigos. Sim! Que bom! Acho que não vou desistir de encontrar um amor companheiro que possa ser também um parceiro romântico, mas é bom pensar que podemos experimentar o amor e o cuidado de outras maneiras…
Eu me encontro no grupo dos que nunca encontraram um amor companheiro num relacionamento a dois. Mas tenho que agradecer a Deus por possuir um amor companheiro na forma de amigo.
O povo lá de cima deve dizer: mas essa gente lá de baixo não se contenta, fica querendo tudo de uma vez!
Então, eu ouço o puxão de orelha vindo lá do alto, e no meio de uma conversa com o meu grande amigo Francisco, penso em como é uma bênção ter alguém com quem compartilhar minhas grandes descobertas, minha evolução, os livros que acho fantásticos. Alguém que, como eu, está interessado em evoluir, em se conhecer, em se abrir para os sentimentos. Alguém que, quando não sabe o que dizer, diz: não sei como posso te ajudar agora, mas vou encontrar uma maneira! Alguém que compartilha comigo os sonhos de um dia encontrar um amor companheiro do outro tipo…
E o que é melhor: não tenho só esse amor companheiro na forma de amigo. Tenho outros!!! Não vou dar o nome dos meus outros grandes amigos/amigas por que não precisa, eles sabem. E sinto que outros surgirão, já estão a caminho. Por enquanto, são “apenas” amigos, mas tem grande potencial para amores companheiros, basta que saibamos nutrir a semente.
Ah, e então sonho com o dia em que todo o nosso planeta vai estar transformado, e a ética do cuidado* será o novo padrão nas relações. “Imagine all the people…”
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* O livro “Saber Cuidar”, de Leonardo Boff, me foi emprestado pela terapeuta reichiana Isabel Cristina Giese, outra grande pessoa que Deus colocou no meu caminho. Prometo que um dia devolvo!
Após um primeiro semestre meio irregular na prática do flamenco… grandes emoções alternadas com períodos “mornos” por conta do excesso de trabalho, há algumas semanas voltei a ensaiar em ritmo intenso com a companhia. É que em julho a Cia Garcia de Danza, do meu querido mestre Rodrigo García, estará se apresentando no Centro Coreográfico do Rio de Janeiro. É uma honra nos apresentarmos lá, pois é feita uma seleção pela Secretaria de Cultura com os que são considerados melhores. Uau!
Momento oportuno pra esclarecer aos que eventualmente me honrarem com sua nobre presença no espetáculo , que não sou uma bailaora profissional. A companhia sim, é profissional, e o Rodrigo sabe extrair o melhor de cada um de nós. Uma das coisas que ele nos ensina é que, no flamenco, a interpretação é fundamental. Não adianta ter a técnica perfeita dos movimentos, sem expressar essa emoção intensa que arrebata a todos que assistem ou bailam o flamenco.
Embora o flamenco pra mim seja um hobby, sem pretensões profissionais (isto é, de retorno financeiro), não consigo me contentar com mais ou menos em nada. Se me proponho a fazer qualquer coisa, é sempre pra me dedicar muito. E isso tem aspectos positivos e negativos, claro.
Bem, esse post é breve pois, como disse outro dia no Facebook, a vida real anda muito possessiva, e não está deixando muito tempo livre para a minha vida virtual. Coloco aqui uma foto da estréia do Baco, no Teatro Ipanema, em 2009, pra vocês já irem tomando o gostinho.
E num post anterior, tem o vídeo anexado com alguns trechos do espetáculo.
Pra quem não vê a imagem acima com as informações, o espetáculo será
Dias 23 e 24 de julho de 2010 às 19h
Dia 25 de julho de 2010 às 17h
Teatro Angel Vianna – Centro Coreográfico da Cidade do Rio de Janeiro Rua José Higino, 115 – Tijuca
E pra quem chegou até aqui, a cereja do pudim: me diverti horrores com o Buzz Lightyear em versão espanhola dançando flamenco no novo Toy Story 3. Dá só uma olhada:
Desde que comecei a escrever nesse blog um pouco mais ativamente (e sobre assuntos mais pessoais, não tanto maternais) tem me acontecido umas coisas estranhas… Uns contatos virtuais totalmente inverossímeis, que minha mente racional ainda não conseguiu processar.
Acho que um pouco por conta disso, também mudaram algumas coisas internamente. Faz mais ou menos um mês e meio que escrevi o post “Quase um ano” e naquela data ainda sentia resquícios de ligação a um antigo relacionamento, que havia acabado “oficialmente” há mais de um ano, e “de fato” há bem menos. Acho que essa coisa de terapia coletiva, ou de expor sentimentos, funciona. Coincidência ou consequência, a verdade é que depois que literalmente publiquei meus sentimentos incômodos, eles saíram de mim, ficaram banais e pararam de me azucrinar.
Acho que duas interações foram importantes pra isso acontecer. Primeiro, o comentário de uma amiga virtual me parabenizando por ter me libertado desses sentimentos. Ih, pensei, ela entendeu errado, eu ainda não me libertei. Mas acho que quem estava com a razão era ela. Por que logo depois, nem me dei conta de quando, aquilo tudo passou a ser de fato uma narrativa do passado. Acho que juntar a história recente com a história antiga ajudou a colocar tudo na gaveta “passado”, e realmente passou.
Outra interação importante foi o contato por e-mail com um fantasma sem rosto, que me ajudou a mudar o foco do passado pro presente e pro futuro. Com este ser de orelhas peludas e verruga na ponta do nariz comecei a me abrir pra novas possibilidades. Mas, calma, só comecei. Se abrir de verdade é muuuuito difícil pra alguém com lua em câncer (ó, carma emocional!!!), este caranguejo que esconde os olhos e se enfia num buraco quando pressente qualquer risco…
Essa música aí embaixo reflete, em muitos trechos, como me sinto neste momento, e coloco aqui pra vocês. Espero que daqui a pouco tempo, a trilha sonora seja outra, já menos confusa.
‘Cause you give me something
That makes me scared, alright,
This could be nothing
But I’m willing to give it a try,
Please give me something
‘Cause someday I might know my heart.
A imagem do fantasma sem rosto que ilustra esse post é do filme A Viagem de Chihiro, meu filme infantil favorito, cujo DVD comprei a preço de banana em uma banca de promoções da Americanas. Filme ganhador de Oscar e Urso cria teia na prateleira. Enquanto isso, as porcarias comerciais são caras e vendem hororres. Ai, ai!
E eu, vou me movimentando pra concretizar com confiança e alegria meus sonhos possíveis, e esperando pra ver se esse fantasma mostra a cara e, como no filme, Chihiro compreende que ele não é tão assustador…
Noite fechada
Clarão de lua
Ventos-pessoas
Varrendo a rua
Alegria,
Gravei teu nome no meu coração.
Nem o tempo
Vai apagar teu nome da canção.
Ah, que lindo!
Foi como a brisa carinhando o mar.
Muito obrigado, Aline,
Por teres sido meu par!
Muito obrigado, Aline,
Por seres o meu par!
A gente pula
A gente dança
A gente corre
Feito criança
A alegria
É uma lembrança que se guarda bem.
A saudade
É a esperança de rever alguém.
A tristeza
Não pode haver num coração que amou.
Aline é um anjo que caiu do céu
E foi pousando no meu coração.
Aline é um anjo que caiu do céu
E foi ficando no meu coração.
Manhã deserta
Ao despertar
Sorriso aberto
Vindo do mar
Essa é uma música muito especial para mim. Foi um presente de aniversário involuntário, que recebi há quase 27 anos. E só há poucos dias pude conhecer a história completa existente por trás dela. Se você quiser conhecer essa história também, visite o blog do autor, Alexandre Machado, aqui: http://aletextos.blogspot.com/2010/04/historico-de-par.html.
A música fala sobre uma festa junina e um par totalmente improvável. E já que recebi essa homenagem tão linda, feita como agradecimento a nem sei bem o quê, quero fazer também meu agradecimento e minha homenagem a quem, sem nem saber, me deu tanta felicidade.
Imagina, uma menininha de 10 anos, que se sentia insignificante, invisível [já falei no post anterior sobre como só a dança me salvava. E agora percebo que, não por coincidência, foi através de uma dança que sensibilizei o coração do meu par. Vejam só, a dança salvou dois de uma só vez...] Retomando de onde parei, imagina essa menininha de repente, no seu aniversário de 11 anos, receber de presente uma poesia; não, mais que uma poesia, uma música! O maior presente talvez não tenha sido a música em si, mas o fato de ser notada, de ser significativa a ponto de inspirar algo tão bonito. E ainda por cima, por um rapaz de 17 ou 18 anos!
Guardei o papel de caderno com a letra escrita, naquela caixinha com as boas memórias de infância e adolescência. Mas, estando há alguns anos com boa parte das minhas coisas encaixotadas, esperando o dia de ter minha própria casa outra vez, não sei mais onde estão guardadas essas memórias. De vez em quando tentava lembrar da letra, com saudade, mas não conseguia.
Quando lancei meu novo portal para assuntos de trabalho, tive a feliz surpresa de receber o cadastro do Alexandre. Como é que ele foi parar no meu site? Ainda não sei.
E ele, que nem sabia se o presente me tinha sido entregue há 27 anos, colocou a letra e a história no blog dele. Mas não me avisou. Ainda bem que eu fui lá fuçar e sem querer encontrei! Acho que alguma parte dele ainda se enganava como a minha menininha, se julgando insignificante. E assim, novamente sem saber, me deu o mesmo presente pela segunda vez!
Obrigada, Woody!
Fotos: praia de Piratininga, Niterói, RJ, por Aline Mendes
Astrid Fonenelle disse uma vez, numa entrevista, que tem propensão genética para a alegria. Pois eu e uma irmã herdamos da família do meu pai uma propensão genética pra depressão, que nos obriga a estar sempre alertas.
Eu comecei a fazer balé moderno aos 9 anos, depois passei pro jazz, e só parei quando comecei a estagiar, lá pelos 19 anos. E digo que foi a dança que me permitiu crescer de uma maneira “normal”. Na dança eu dava vazão à minha emoção, que ficava reprimida o resto do tempo todo. Imagina como seria sem ela! Minha estrutura corporal é muito mais adequada para a natação, por exemplo, que também fiz durante alguns anos. Mas para a dança, o corpo não ajudava nada. Os braços super flexíveis, mas as pernas, flexibilidade zero. Esforço máximo para progressos mínimos. Mesmo assim, a alegria que me dava era o que importava. (Ainda bem que, pelo menos, ritmo nunca faltou…)
Depois, fiquei um longo tempo sem dançar, pulando de galho em galho, mudando de uma atividade física pra outra sem tanto entusiasmo. De algumas eu até gostava, mas sem a sensação de prazer e realização da dança. Sem nutrir a alma…
Nesse meio tempo, tive três filhos e, na primeira gravidez, uma depressão pós parto não identificada que se estendeu por anos, camuflada, até que nasceu o terceiro filho e logo depois me divorciei. Seguiram-se quatro anos de terapia, que me ajudou muito e que, não por coincidência, parei exatamente quando voltei a dançar.
Isso foi em 2008 e, dessa vez, me encontrei com a dança flamenca. Foi juntar a fome e a vontade de comer. Desde que estudava espanhol lá na Casa D’Espanha, que ficava olhando a aula de dança espanhola, morrendo de vontade de participar. Agora, consegui unir duas grandes paixões da minha vida: a dança + a língua espanhola (e a música!). E a melhor notícia: o flamenco não exige grande flexibilidade das pernas! Maravilha! Precisa, sim, domínio dos movimentos, ritmo e habilidade, mas não tem aquelas jogadas de perna pro alto como no balé e no jazz.
E por que eu resolvi falar disso justo agora? É porque este ano, o volume de trabalho cresceu tanto, que ocupou quase todos os espaços disponíveis e não disponíveis. E com isso quase não dancei nos últimos meses. Resultado: sem dança, a depressão resolveu mostrar as caras de novo, sob a forma de um cansaço irremediável. Mas, sempre tem algo que nos salva, e maio é o mês em que os bailaores espanhóis resolvem baixar a terras tropicais para dar seus cursos. Nesse movimento, resolvi tomar as rédeas da agenda lotada e abri espaço para as oficinas de flamenco no Centro Coreográfico. Foi a melhor coisa que fiz! O ânimo já estava melhorando desde o começo do mês, com um excelente dia das mães em família. Somando as aulas de flamenco e o contato com o grupo, estou feliz, feliz de novo!
Baco, o Deus do Vinho – Teatro Ipanema – Dez 2009
Cia Garcia Danza Flamenca
(sou a primeira a aparecer no vídeo, à direita)